Isabel Pesce Mattos – Talenj

17.julho.2011

“Ao longo da minha vida, eu tive sorte de grandes mentores que mudaram a minha vida e me ajudaram a seguir adiante.”

Eu sempre gostei muito de matemática e durante o colegial, eu pensei em tentar entrar no ITA, uma das Universidades mais prestigiadas do Brasil, mas meu conselheiro acadêmico abriu meus olhos para o mundo internacional e sugeriu que tentasse na MIT. Eu nunca tinha ouvido falar antes disso e tive que superar muitos obstáculos. Primeiro, ser aceito num programa que aceita por volta de 3% dos inscritos e depois, arranjar um jeito de financiar meus estudos.

Trabalhei muito e desde o princípio fiz de tudo para fazer meus sonhos se tornarem realidade. Havia muitas coisas onde eu precisava ser criativa, como ter que implorar para um estudante me entrevistar depois do prazo e ter que levar nela, uma caixa com todos os prêmios e as realizações que eu tinha conseguido na minha vida. Eu mostrei que eu queria muito, de todo o coração, e aí, o impossível aconteceu. No dia 18 de março de 2006, eu recebi uma carta me dando às boas-vindas  para me juntar à nova classe da MIT. Mudou a minha vida – eu me lembro de estar ouvindo “Breakaway“da Kelly Clarkson, e desde então, sempre quando as coisas não estão boas eu lembro de quando eu abri a carta. Também consegui bolsa e um trabalho,  então pelo menos meu primeiro ano estava coberto. Quando eu cheguei lá, tinha tantas coisas maravilhosas acontecendo que eu sentia que eu não queria perder nada, então eu fiz o máximo que eu pude. Eu estudei Engenharia Elétrica, Ciência da Computação e Matemática, e consegui emprego na Microsoft e no Google. E também consegui me graduar em Administração na MIT Sloan School.

Mas a minha verdadeira epifania foi durante o MIT 100K Entrepreneurship Competition. Junto com alguns amigos, nós criamos um time, e fizemos um projeto chamado MeshPhone. O Objetivo era aumentar a cobertura de celulares em áreas rurais na África. Nós propusemos que em cada celular fosse implementada uma antena com alcance de 16 km e ele poderia falar de graça com outros telefones nessa área e, ainda assim, o sinal poderia ser roteado através dessas antenas até uma pessoa mais distante. Nós chegamos às finais do MIT Executive Summary Competiton, mas as empresas de celular não ficaram muito felizes com a nossa ideia de não cobrar nada pelo serviço, então foi muito difícil para a gente entrar no mercado. Mas no meio desse processo eu descobri o meu chamado e descobri que o meu maior sonho era abrir uma grande empresa. Eu mudei de hardware para software e lancei o What If, um website que abriga a criatividade chamando a atenção para o valor do brainstorming.

Me formei em junho de 2010 e estava pronta para trabalhar com o Google mas a vontade de empreendedorismo foi mais forte. Eu tinha acabo de conhecer três funcionários do Google que tinham acabado de sair para iniciar sua própria empresa, Ooyala e me convidaram para trabalhar criando um serviço de vídeo, focando em análises, investimento e entrega em múltiplas plataformas. Aprendi muito sobre crescimento em uma empresa. No começo havia apenas 20 funcionários e agora já somos quase 200. Eu trabalho como gerente de produto e estou terminando meu mestrado em engenharia pelo MIT à distância. Eu amo o Vale do Silício, compartilho as lições que eu aprendo no meu blog, e estou aplicando tudo o que eu aprendi para começar uma nova empreitada chamada Talenj que é um jeito gratuito e divertido de aprender qualquer coisa.

Ao longo da minha vida, eu tive sorte de grandes mentores que mudaram a minha vida e me ajudaram a seguir adiante. Por conta disso, eu realmente acredito que se você se cerca de gente inteligente, motivada e apaixonada por algo, e trabalha tão duro quanto você pode em alguma coisa que você ame, não pode dar errado.

Idade: 23

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@belpesce

 

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